Janeiro 2017

Saudade

Saudade

Voltei a vestir-me de branco. Tinha encontrado o João na semana anterior. Andava, como sempre à beira de memórias inacabadas. Ele e elas, ali os dois, mesmo à mão de semear. – Olha que as mãos que não sabem colher têm sempre preconceitos com o passado. Não é? –  disseste com um sorriso de soslaio meio marfim, meio sobrancelha, íris ao Continue reading Saudade

Poema para uma mulher bonita num dia frio

Poema para uma mulher bonita num dia frio

Mulher bonita Lembram uma marcha de Lisboa Os teus olhos cor de pólvora a olhar-me fixamente [surpresa] Querem dizer que os meus lábios são romãs [vacilo] Num barco negro navegam Meus dedos nos teus cabelos Proa em estrela Cinco pontas [desejo] É um naufrágio anunciado este poema novo? Um portulano esquecido é sempre um mar sem Continue reading Poema para uma mulher bonita num dia frio

Hoje

Hoje

Se não vi é porque não tive tempo. Ou não soube. Porque não vi que era certo o teu olhar. Porque me sumia de mim e não te via a ti. Porque desisti de avançar e me perdi. Porque eram salgados o mar e a intempérie e estava frio Porque preferi o borralho cibernético do meu livro maçã E tudo Continue reading Hoje