Aura

Se não for hoje é porque não tive tempo. Ou não soube. Porque não percorri o caminho certo. Porque me sumi de mim e não te vi. Porque desisto de começar a avançar e me perdi. Porque eram salgados o mar e a intempérie e estava frio Porque preferi o borralho cibernético do meu livro maçã […]

Rua da felicidade

Dizes sempre tudo com tanto assombro Mas onde é que moras, que nunca te encontro. Foges de mim, se te olho perto E não se vê o mar no teu olhar deserto Só te quero levar ao fim do meu mundo Onde o horizonte esmaga o teu mar sem fundo Mas tu nunca queres vir, queres permanecer e a fugires da vida não podes viver Por isto te […]

Dança

Acordei agora do meu sonho princesa bailarina. Sinto a falta do contorno quente do teu corpo no meu. Tenho gravada a textura da tua pele na memória da minha. Na tua ausência tenho tocado essa gravação vezes sem conta, como os adolescentes do nosso tempo, a fazer rewinds infinitos em cassetes de fita magnética onde guardávamos […]

Nascer do dia

Eu sou o voo e o dia claro e o sol que chega ao mar Eu sou a tua mão e a minha e a pele das duas e o tempo lento dos olhares e o fim da maresia que se vê  

Lolita

Hás-de sempre ser longe Ubasti distante sem vértice Esquadro vago raso ângulo Hás-de ser Ailuro que chegue e mate todas as memórias nas esquinas de Mykonos Hás-de ser minha e prematura E eu o  guizo que acompanha essa prisão que não  toleras Hás de ser só gato  e eu só Anubis e  sem saberes o som da liberdade

Olvido

Se me olvidó decirte el nombre de una secuencia mágica La escribí despacio porque se me hacía extraña y la guardé de memória en ese cajón lejano Ahora vuelve y me hunde Me asalta y amenaza y se tira adelante Ya te la leeré otro día si me dejas dormir te daré una plaza mayor y un enlace Pero […]

Poeta sem abrigo

– Só um poema por favor! (…) Estou aqui a arrumar palavras de mão estendida e boné de métricas (…) Abano o braço como um pêndulo Enquanto estacionas devagar (…) Parece pequena a tua estrofe Uma quadra simples (…) Cabia lá uma ode inteira bem sei Mas hoje não consigo melhor (…) O meu caderno está cheio De meios sonetos desarrumados […]