Ficção

Chega

Junho 13, 2016

Saí à rua para te ver. Chovia tanto que não notava as pessoas no caminho, os encontrões no passeio, as ultrapassagens perigosas… Faço-me à estrada e atiro-me às memórias como se fosse de gasolina. Atiço-lhes lumes e fósforos e mais pensamentos incendiários, fogo e labaredas. Hei-de esbarrar em ti se continuar sempre em frente. Tu não me ganhas em probabilidades impossíveis. Nem neste ir e vir de enganos em que queres reduzir o tempo à tua alínea.  Não chegas para mim. Não dás. Pode até ser que não haja rota que te encontre, ou linha de interseção, ou plano de corte. Podes ser até transparente como uma medusa, de geometria variável. Metafísica. Podes até ser plano esquivo, que a minha pax será nula. Assíncrona. Áspera, Ausente. Serás até o que tu quiseres. Podes esconder-te nos arredores, nos palácios da memória, ou noutro beco qualquer. Ou noutro espaço tempo que ninguém postulou. Nem que que eu empurre a vontade até doer. Até lhe doer. Chega.

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