Ficção

Contra corrente 

Abril 12, 2016

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– Ora deixe ver…O senhor José deve um mês de contras!

– Não devo nada! Fui contra a semana passada duas vezes. E duas na anterior. É uma por semana a minha conta. Tenho os contras em dia.

– Deixe ver, olhe que não é bem isso, as contas não se fazem assim…

– Como assim? Só pode estar a brincar, está a conta limpinha, saldo zero…

– Deixe ver melhor. Está aqui no seu contrato; um contra por semana e sempre às quartas feiras. Não pode ser contra quando lhe apetece, em dias seguidos, ou duas vezes por dia como aconteceu na Páscoa.

– Havia mais assunto… Vá lá homem, nem sempre há rancor, nem motivo, seja flexível, os meus contras são arrasadores.

– Deixe ver, aqui na terceira página, quarta linha “a segunda contraente compromete-se a ser contra, sem exceção, semanalmente no dia combinado” é mais à frente, olhe olhe, é claro como água  “o não cumprimento da alínea anterior implica a imediata resolução do contrato”… Não posso fazer nada. É ainda mais grave. Não pode continuar…Está despedido

– Mas eu preciso muito… Tenho filhos pequenos…

– Deixe-se disso,  se precisasse mesmo não tinha sido perdulário, agora já era, lamento…

– Deixe lá! Por favor !

– Está a ver!? É isso.

 

 

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