Poesia

O dia de amanhã

Abril 20, 2016

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EVOHÉ


evohe“Alguém diz com lentidão, Lisboa sabes? eu sei…”
Caminhas com a graça de princesas tão belas como a beleza, Evohé, descendo as ruas da cidade,  do lado ímpar da estrada, ao encontro do amor
“É uma rapariga descalça e leve, um vento súbito e claro nos cabelos…”
Estava um frio quente, entardecia a primavera e havia sol, e barulho de vento nas palavras. Chamavas sem que te ouvisse, Evohé, descendo a rua que subia o meu prazer
“algumas rugas finas a espreitar-lhe os olhos”
Vinhas tão cansada de mortais, Evohé, tinhas sede de deuses, eu sabia. De amor e da outra vida que já não corria no teu Lethes. E tu também sabias, mesmo antes de beber a alegria do esquecimento.
“a solidão aberta nos lábios e nos dedos, descendo degraus…”
Mas é preciso esquecer, Evohé, é preciso beber do rio, é urgente descer até foz, é preciso
“e degraus”
Adora o rio, Evohé, mas encontra o mar. Esquece a foz, que não te deixa amar.
“e degraus até ao rio.”
Não há pior destino que Mnemósine, mesmo se o desejares.
“Eu sei. E tu, sabias?”

 


sobre “Lisboa” de Eugénio de Andrade
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