Ficção

Em busca do tempo perdido

Julho 22, 2016

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Dá-me mais um tempo. Não fujas já. Quero perceber melhor. Estar mais perto. Ouvir-te contar as tuas coisas de menina. Perceber porque tiveste de crescer rápido e porque tens de continuar crescida.
Sei que não devia explicar-me tanto. Que é melhor deixar o teu riso desaguar num gin tonic do que fazer conversas num pires de tremoços. Até porque é menos provável ser feliz em casas de mau pasto que noutros lugares melhores.
Pode a vontade de querer até ser meiga. Mas o tempo da espera é invernoso. Não estás, mas é ainda possível que um dia venhas.
E se não fores tu que seja uma face clara dessa Berlim sem lua, só cafés. Ou o circo em Roma de novo cheio, mas de druidas. Ou apenas outra vez as madalenas, mas incapazes de se dissolver.
Dá-me mais um tempo. Não fujas já.

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