Ficção

Maio de mais

Maio 28, 2016

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Pela primeira vez em toda a  minha vida, dou comigo pensando que preferia ser outro. E não foi isto, não é por causa de mais este engano, olha que não é mesmo. Sabes que passo a vida a fazer confusões bestas, destas com horários de comboios, paragens de autocarro e meses de avião. Até aqui nada de novo. The same old foul.

O que agora muda é como o sinto. É como olho para este labirinto de tudo-nadas onde me movo. Sabes? Afinal não tem saída. Desta vez estou encostado à parede. O labirinto não existe para se lhe poder escapar, não há não-labirinto. Não há fora dele. Pela primeira vez consola-me a ideia de que não vou ficar bem, que já não há tempo para mais, nem mais caminho. Que seja a velhice a chegar, e em vez de doce, a pedir palavras e calmaria, venha montada numa algazarra de feira popular a gritar corridas e viagens que  magoam. Agora o único que quero; com a única força que tenho; é poder baixar os braços. Descansar, desistir, capitular. Empurra-me, por favor, por essa prancha fora, na ponta duma espada ferrugenta. Não quero mais saber!

Estamos no fim de maio. Hoje é sábado. A final da liga dos campeões é logo à noite e eu sempre adorei futebol. Lá fora o sol às vezes, espreita a dá ares de junho. Deve haver música nalguns sítios. E sorrisos.
Mas aqui não.  

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