Mwangolé, meu irmão do sul

Querido mwangolé, meu irmão do Sul. Acordo com o rosto desejando-te muitas alegrias futuras. Tenho lido nos jornais muitas coisas sobre a tua terra vermelha e me inquieto a pensar no que está a acontecer aí. Tem muito pó no ar, muita coisa por contar, muita história para esclarecer.

Faço muitos votos e muita força para que tudo se resolva em bem. Desejo tanto que os pecadores expiem suas culpas e se reabilitem depois, como espero que os que as aplicam sejam justos e consigam interpretar bem o seu papel na história.

Espero que Angola seja um exemplo para todos os povos. Para os vizinhos com quem encosta a terra das suas fronteiras, para nós portugueses com quem partilhas tanta história e para os povos do fim do mundo onde reside o futuro da humanidade comum.

Quando um povo se sobressalta procuro sempre a calma da poesia. Nela está contida normalmente a fórmula secreta da esperança. E nada pode ser pior que a sua falta. Devíamos sempre procurar nas palavras curtas e ágeis dos poetas uma solução para os desentendimentos. Elas são um tónico para a confiança.

Querido mawngolé, meu irmão do Sul. Visitei os teus poetas mais antigos na vontade de te conhecer melhor nesta hora confusa: Agostinho Neto, António Cardoso, Ernesto de Lara Filho, Mário António, Isabel Ferreira, tantos outros. Foram o elixir para compreender esse futuro que agora parece chegar.

Encontrei Autocrítica, Confiança e Dádiva. Encontre as palavras bonitas que me faltavam nas notícias cibernéticas deste mundo moderno de computadores solitários.

Em Andrade encontrei uma dádida tão forte como o silêncio dos muxitos no segredo dos capinzais nas noites de luar sem trovões. Soube que ias volta a encontrar o canto das perdizes e o cheiro das queimadas de setembro que antecedem as chuvadas.

Em Cardoso descobri os cheiros da tua infância e novamente a cor do barro vermelho, quando o sabor da manga nos escorria da boca nas noites onde contávamos as histórias de antigamente.

Mas, mwangolé, meu irmão do Sul, foi em Neto que encontrei a confiança que não deixava que oceano nos separasse. Esse oceano que reúne em ti o espaço condensando o tempo.

Na tua história existe o paradoxo do homem disperso, e o sorriso que brilha no canto da dor, mas são melhores as mãos que vão construir mundos maravilhosos

Mwangolé, meu irmão do sul, o drama intenso de uma vida imensa é muito mais útil, quando aqueles que colocaram as pedras nos alicerces do mundo melhoram todo o chão que agora e teu.

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