Não me importa a verdade

Não me importa a verdade.
Nem me interessa o tempo que passa, nem o tic-tac-tic dos relógios, nem a primeira página, nem todo o passado, nem o futuro. Nem o mais que há-de vir.
Porque não temos conversas de obrigação, diálogos surdos, melancolias sem espírito; de quem não vê para lá do horizonte.
Não me cativam: o texto mole dos intermezzos, a partitura das palavras de obrigação, ou os catálogos de moda.
Não te defino.
Porque és maior que Litré, que todos sabem que é maior que a vida.
Não te agasalho por não teres frio; não me agasalho porque és primavera.
Por não te ter não me lamento; mas também não me conformo.
Não te requeiro, porque não te posso possuir.
Importa-me que hoje vi neste texto a certeza de que eras para mim.
… e que boa essa ilusão…
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