O sorriso novo

Espreitou por cima do ombro, esse sorriso, como um esquilo jovem a explorar os caminhos novos, da árvore nova, da estrada nova, num tempo novo.
A mãe dissera-lhe um dia que as melhores nozes são as mais difíceis de encontrar, mas que só essas valem a pena.
É preciso percorrer vezes sem conta o caminho que vai da força do tronco até equilíbrio frágil na ponta do ramo mais afastado – disse-lhe – ir da memória das raízes mais fundas ao rebento mais jovem e verde do topo da copa.
Só quem percebe a solidez sabe apreciar a dança, e quem não conhece as trevas não sabe amar a luz.
Espreitando, maroto, por cima do ombro, o esquilo e o sorriso já eram um só. Como uma memória de infância que ainda não tinha acontecido, buscavam com o olhar aquele tempo novo. Dispostos a percorrer juntos o caminho que vai da ideia até ao fruto.
Era um sorriso de noz dois.

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