Obiwan

Obiwan, e se eu apontasse ao céu o meu sabre de luz. Sem sonhar com cruzadas impossíveis ou almejar futuros que não posso ter.

Disseram-me um dia que a luz das estrelas não impressiona a película e que todos os céus estrelados na tela mágica do cinema são obra de artistas; e eu sempre acreditei.

A contar constelações fui acrescentando a cada história essa magia diáfana, metáfora da liberdade que tem a luz em não se deixar capturar. As estrelas não têm dono no tempo. São só olhar.

Volto ao sul e olho o céu. Sinto-me sempre em casa passados o Atlântico e o Equador.

Trago uma vela na bagagem. Um desses panos de enfunar distâncias com que os marinheiros ganham graus ao horizonte.

Foi uma tormenta explicar que o conteúdo daquele tubo cinzento onde caberiam mil náufragos de fronteira, não era mais que uma vela. Dessas em triângulo, capazes de agradar a todos os ventos. Não daquelas que ardem bruxuleantes e fátuas nas cerimónias de homens bons e noutras adorações. Não é uma vela de luz é de vento.

Já a entreguei a quem a vai marear, mas a dúvida ficou guardada.

Antes de adormecer fui à varanda do prédio olhar a noite e foi aí que encontrei o sabre de luz apontado ao céu.

O meu cavaleiro Jedi estremeceu como se pela primeira vez sentisse o pulsar da força.

A luz do sabre estendia-se até ao firmamento apontado Orion, o caçador celeste, na sua interminável rotação universal na companhia da deusa que por amor o matou,

Obiwan, na ponta do sabre azul, na noite sem lua da capital do sul, um milagre aconteceu: no fim do gume azul, visível, impressionando o céu e o meu olhar, as três Marias, Alnitak, Alnilam e Mintaka. Alinhadas para que se cumprisse uma profecia ou apenas para o universo se mostrar

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