Tempo

Quero ver-te aqui  A sorrir de frescura  Como o ar da manhã  Quando te encontro Sonho mais alto Respiro melhor E os dias brilham mais  É neste lugar aqui Flores sem nome  Ondeiam ao vento  Quando lá chego Inspiro e expiro  Inundas-me E as horas sossegam Estás sempre aqui Contas  histórias  Era uma vez dizes Continue reading Tempo

Átono

Átono

Vai anda  anuncia  Desembrulha as palavras guardadas Descobre as  sílabas  deitadas  Grita  aos acentos  levantem-se ventos  E esvazia  à toa esse vazio de sílabas  tónicas  com que rebentas  no mar 

Cada Coisa

Cada coisa a seu tempo tem seu tempo. Não florescem no inverno os arvoredos, Nem pela primavera Têm branco frio os campos.   À noite, que entra, não pertence, Lídia, O mesmo ardor que o dia nos pedia. Com mais sossego amemos A nossa incerta vida.   À lareira, cansados não da obra Mas porque Continue reading Cada Coisa

Muralhas 

Muralhas 

Atrás da voz há um mapa À frente dela atenção A muralha é uma canção feita de luz e saudade No coração de Lisboa o tempo sabe passar Passa no rio de barca apontado ao alto mar Quando recordares a vida nao há o que não viveste so há as coisas que viste e todas Continue reading Muralhas 

Beleza

As mulheres hão-de sempre sê-la porque tudo nelas é magia e o seu ar é mais suave e o olhar que nelas pousa é mais leve e jovem esse olhar.  O tempo é  só complemento, estame que chama, carpelo que geme. Porque a flora é deusa e eterna. Ao João Francisco Vilhena

Olhar

Olhar

Como uma Águia Pesqueira quando mergulha sem vertigem no mar Como um Nadal em top spin buscando na linha o horizonte da forma Como um Picasso sóbrio desenhando deus como uma criança Como um Giotto dos tempos modernos a reinventar a perspectiva Como um Chapeleiro Louco a dar horas em Wall Street Como no Livro Continue reading Olhar

Intervalo

Era uma vez em vez de lábios palavras e em vez de voz paradas cigarras Era o tempo do intermezzo meio seco do brandy light by night Era como fosse onde ninguém morava nem o copo nem a árvore nem os lábios nenhuma língua Só a palavra. @ 2006

As cabras 

Por toda a parte onde a terra for pobre e alta, elas aí estão, as cabras – negras, muito femininas nos seus saltos miúdos, de pedra em pedra. Gosto destas desavergonhadas desde pequeno. Tive uma que me deu meu avô, e ele próprio me ensinou a servir-me, quando tivesse fome, daqueles odres fartos, mornos, onde Continue reading As cabras