O dia de amanhã

O dia de amanhã

EVOHÉ “Alguém diz com lentidão, Lisboa sabes? eu sei…” Caminhas com a graça de princesas tão belas como a beleza, Evohé, descendo as ruas da cidade,  do lado ímpar da estrada, ao encontro do amor “É uma rapariga descalça e leve, um vento súbito e claro nos cabelos…” Estava um frio quente, entardecia a primavera e havia sol, Continue reading O dia de amanhã

Despertar

Despertar

É um pássaro, é uma rosa, é o mar que me acorda? Pássaro ou rosa ou mar, tudo é ardor, tudo é amor. Acordar é ser rosa na rosa, canto na ave, água no mar. Coração do Dia – Mar de Setembro de Eugénio de Andrade

Calçada de Carriche

Parecia vagamente um velho céu estrelado daqueles que antes se usavam no cinema mudo. Podia ser uma nuvem de planetas pintada por uma senhora monótona, a julgar que fossem astros cintilantes.  Podia ser um vestido premiado no concurso de chita.  Podia ser o mapa de um terreno minado ou um esboço para a maior cabra Continue reading Calçada de Carriche

Aquelas reticências

Aquelas reticências

RETICÊNCIAS Como as bailarinas antecipam o som, elas antecipam o texto, a mensagem e a surpresa. Dançam ao compasso das teclas que, do lado de lá, trazem a imaginação que vive na ponta dos teus dedos. Constroem palavras. São o ponto da voz – “vem por aqui” – e dançam em silêncio. Antes as reticências significavam o sentido escondido, o que ficava propositadamente por dizer Continue reading Aquelas reticências

Impõe-se

Impõe-se

“Tu não mandas em mim, eu faço o que eu quero” O que se impõe não está do outro lado da vontade. É contrário a ela. A vontade é a única coisa que não se impõe. Por isso, o que se quer e o que se impõe são incompatíveis. Como o são, quer e não Continue reading Impõe-se

Chiclanera

Chiclanera

Lá fora impreciso o vento corre frio. Um semi tom de sol, cálido às vezes, nas esquinas resguardadas. A ruas da cidade vão sossegadas, imagino que cheias de confortos empantufados dentro de casa. O dia não convida. Não há barulhos, um motor de carro aqui, outro ali, pontuam a pauta domingueira de pausas breves. Olho pela janela e Continue reading Chiclanera

Scherzo

Scherzo

O parque é uma pausa chique. O jardim solfejo dandy. Notas com pêlo pululam Dos colos dos donos para a pauta da luz Larghetto, o senhor Moniz, passeia sostenuto o semi fuso neto “Martim, o menino non tropo!” Ele, presto aqui,  vivo acolá, Põe cor num scherzo a preto e branco.