Olhar

Olhar

Como uma Águia Pesqueira quando mergulha sem vertigem no mar Como um Nadal em top spin buscando na linha o horizonte da forma Como um Picasso sóbrio desenhando deus como uma criança Como um Giotto dos tempos modernos a reinventar a perspectiva Como um Chapeleiro Louco a dar horas em Wall Street Como no Livro Continue reading Olhar

Intervalo

Era uma vez em vez de lábios palavras e em vez de voz paradas cigarras Era o tempo do intermezzo meio seco do brandy light by night Era como fosse onde ninguém morava nem o copo nem a árvore nem os lábios nenhuma língua Só a palavra. @ 2006

As cabras 

Por toda a parte onde a terra for pobre e alta, elas aí estão, as cabras – negras, muito femininas nos seus saltos miúdos, de pedra em pedra. Gosto destas desavergonhadas desde pequeno. Tive uma que me deu meu avô, e ele próprio me ensinou a servir-me, quando tivesse fome, daqueles odres fartos, mornos, onde Continue reading As cabras 

Luz garra

Luz garra

Aí no silêncio onde moras à luz oblíqua de outono sou teu íntimo felino Garra da tua sombra mago devoto na tua luz Improvavel profeta ecrã impossível tocar-te e fuga e som

Liberdade

Liberdade

Liberdade Ai que prazer Não cumprir um dever, Ter um livro para ler E não fazer! Ler é maçada, Estudar é nada. Sol doira Sem literatura O rio corre, bem ou mal, Sem edição original. E a brisa, essa, De tão naturalmente matinal, Como o tempo não tem pressa… Livros são papéis pintados com tinta. Continue reading Liberdade

Flor consoante

As flores do pão de canela em todas as mesas se falam homens antigos e mulheres de histórias que não viveram memórias só gestos de agora é verão na cara deles há delas memória e um precipício em tempo e um muro quente que se derrete sem pressa

Tempo

Tempo

Manobras o ponteiro dos minutos como se fosses uma fera enjaulada. Como se nada houvesse que não seja o vazio eterno dessa estrada. Não me levanto nunca  sem pedir que a tua alma acabe, que o teu leito resvale, que o teu cigarro se apague; e cinza e sono e deus, se ponham de acordo Continue reading Tempo

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Com a leveza do ar e o peso das memórias levanto voo no anoitecer de sábado. É a viagem, é a viagem! É o mar é o mar me chama. É a terra que deixo sempre para trás Sem a olhar como merece. Vertigem da vertigem [a vertigem dá vertigens] E eu prossigo impassível como Continue reading Seguir