Parêntesis

Há um parêntesis no meio deste texto que é a única coisa que interessa.
Só era prosa porque não tinha ainda acontecido. E não podia ser verso. Nem avesso. Nem reverso.
(Não consegui pensar em mais nada quando te vi. Deitei-me desejo abaixo até ao colo chapeleira louco na esperança que a rainha te devolvesse ao lugar de onde saíste.)
– Dizes-me as horas, Peter Pan?
Disseste-me à tarde que não me davas ideias, e eu só queria descer contigo e ir ver o céu de um terraço qualquer pelos teus olhos cinco terras.
Eras graça. Teia. Tela. Feel me. Drink me. Eat me.
Amei o momento de trocar contigo aquele quarto. Afinal toda literatura do mundo pode ser apenas uma metáfora inútil. Das que ameaçam Titans no intervalo do alinhamento nas estrelas. Lua nova. Lua cheia. Meu quarto.
Deixei-me pensar no dia breve. No rigor das horas. Na inutilidade da tristeza. Na alegria destes dias mágicos.
Que são do Alexandre que vê imagens nos poemas do Al Berto, na Rosemary que se encanta e sorri sempre; com a história e com o sol . Na memória de elefante do Gregório. Na Isabel que prefere ser médica a escritora. E no Rosa sem as rosas do Rosa. E no mar de gente que entope a tua Direita de turistas apressados.
– Roubaram-me o outono!
– Inês isso é ótimo! A quem agradeço!
Amanhã muda a hora e eu não quero disso. Não há pior ideia que anoitecer cedo. É como se alguma coisa desistisse sem haver manhã que o possa compensar.