Ficção

Reencontro

Junho 7, 2016

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Voltaram a minha casa com o mesmo sorriso com que tinham partido um dia, sem saber que haveriam  de passar quase 10 anos até hoje.

Talvez por isso o tempo não se fez sentir. O Artur e a Teresa chegaram como se nunca tivessem saído mas estamos de acordo que passaram já muitos anos. 

Parece mesmo que estiveram sempre  cá, a saber a rua certa e os cantos da casa. Isto estava ali, isto é novo. A estante das viagens, a biblioteca branca que ocupa de livros a parede antes vazia. Tens uma gata. O cão é o mesmo? Era pequenino. Tenho tocado pouco na minha guitarra.

Sentámo-nos lá fora, a noite convida, a luz era tão baixa que a via láctea sentava-se conosco à mesa. Arroz de povo malandrinho, oh Mindinha que maravilha! E tudo era ontem e os anos uma ilusão. 

Contámos a vida e as desventuras,  o tempo e as aventuras. Os filhos cresceram. Ena. Isto é um instante. Já pintei as paredes duas vezes, por dentro e por fora. São como a alma, é preciso cuidá-las. O nosso filho corre nos cavalos, Horseball, uma coisa de ricos com éguas, selas com nome estranho,  mas à mesma com palha e carrocinha de transportes. Não aguento mais estar longe do mar. Dividimos a casa em dois, alugámos parte para sobreviver. Mas ja chega de cubos suburbanos a meio caminho entre a cidade e o mar. Quero outra vez o por do sol, pendurado com molas, a secar no estandal na minha janela.

Agora vamos embora que já é tarde. Não podemos ficar tanto tempo sem nos vermos. Não podemos mesmo. Daqui a outros 10 anos já tudo será diferente. É agora que precisamos mais de nós.

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