Reflexo

Pequei na força que sobrava e olhei-me ao espelho. Levantei a cabeça do chão e empurrei os olhos à procura do reflexo com a mesma rédea curta com que se ensinam os cães jovens a não andarem à frente do dono.

O caminho desse olhar foi longo, inquietante e lento como aquele que se segue à contagem decrescente que arranca as naves espaciais da terra e as atira para o espaço infinito.

Por fim os olhos, voluntários à força, agarrados ao resto da cabeça, incapazes de contrariar a vontade fisica ascendente atingiram a linha de terra daquela geometria horizontal. Parado, apenas as pálpebras os separavam de me encontrar.

Mas não quero ver-me. Lá não acharei reflectida a minha imagem. Espero apenas esta angústia em que me sinto quando o amor por ti se acende.

Por isso resisto. Prefiro as trevas a perder-te.

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