Rooftops

Escrevo estas linhas de início de tarde só porque te quero bem e te sinto perto.

Abro um livro novo sem saber.

Não há Batmans nem Fantasmas, e é Demolidor esse frio de mulher maravilha que me enche a imaginação de borboletas.

E és coisas que não há. Que ainda nem sequer se podem pressentir.

És um museu antigo a arder na hora quinta tropical. E o Maracanã do lado e o carnaval.

És uma ponte de tirantes sobre o Tietê, luz marginal encurralando o tráfico que nunca dorme nas viradas de São Paulo.

És o norte e o sul e interior, praia camisola, noite de lua cheia, sobressalto de Ipiranga, Bolsonaro débil que não lê.

És o mar azul em Ilhabela e o Yatch clube em Salvador. Uma fazenda abandonada. Capricórnio e equador.

És dança lenta e puro-sangue. Copacabana e o Redentor.

És o sonho que sonha o sonho, o infinito e mais além. A barca d”Alva, a pauta branca e a sinfonia em mi também.

És o recado que não sei. O recato que inventei e as tuas mãos nos ombros meus.

E és fado e graça. Alfama e Lapa, e a língua ágil que abraço o tempo breve.

Eu sou só meridiano. Arco e flecha. Caçador.

Sobre os teu olhos traço arcos perfeitos e semi círculos de amor.

Nem Deus pensava ter assim tantas certezas. Nem poemas com sentidos no pó das estrelas.

Oásis no meio de Lisboa. Rooftop impossível.

Não há beleza igual às tuas sobrancelhas.

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.