Sono

Encosto a cabeça ao sono e peço-lhe que venha já.

Ouve-se lá fora o latir metálico de uma máquina indistinta. Gemido longínquo como de uma fábrica antiga que guarda o rumor de um tempo que passou. Late numa frequência branda, veloz e continua, como um rilhar dentes em surdina.

É o som final deste dia. Pitch, murmúrio e abandono. Força sem campo, plena cidade, coração da noite e liberdade.

Mas a minh’alma que aqui invoco, na noite clara do sul não ouve mais que o teu respiro. O sono vence. E durmo.


A luz voltou. Abro os olhos. Entra uma brisa morna pela vidraça e agita-se o ar quieto da primeira hora. É de novo dia.

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.