Poeta sem abrigo

– Só um poema por favor! (…) Estou aqui a arrumar palavras de mão estendida e boné de métricas (…) Abano o braço como um pêndulo Enquanto estacionas devagar (…) Parece pequena a tua estrofe Uma quadra simples (…) Cabia lá uma ode inteira bem sei Mas hoje não consigo melhor (…) O meu caderno está cheio De meios sonetos desarrumados […]

Aquelas reticências

RETICÊNCIAS Como as bailarinas antecipam o som, elas antecipam o texto, a mensagem e a surpresa. Dançam ao compasso das teclas que, do lado de lá, trazem a imaginação que vive na ponta dos teus dedos. Constroem palavras. São o ponto da voz – “vem por aqui” – e dançam em silêncio. Antes as reticências significavam o sentido escondido, o que ficava propositadamente por dizer […]