Terramoto

Só sei fazer isto agora.

Chovem angústias da tua ausência, e eu não consigo convocar-te as más memórias.

Só recordo o sol e o meio dia, o paraíso no teu olhar, as borboletas.

Procuro em ti o que não há?

Rebenta o som. Estremecem as entranhas e a alma cai.

Esgravato, cavo, sangro. Sofregamente afundo as mãos na terra fria.

Desmama-te, grito. Berro por dentro. Suplico. Dá-me o fim da tempestade.

Desopila. Vai. T’arrenego. És tempo que nunca fui, alma que não tive e vida que não vivi.

Está tão escuro o céu quando te vejo. E quase choro.

Quase morro.

Quase voo.

4 comments

  1. Enquanto o coração não bate
    Toco com a minha pele na tua
    Com o braço alcanço a lua
    E sigo para um outro dia
    Pensando
    Mas sem falar
    Sentindo
    Mas sem mostrar
    Esperando sem alcançar
    Sigo para um outro dia
    Sem ouvir a tua voz
    Perdida
    Mas sem parar
    Sozinha
    Mas sem chorar
    Viro-me para o outro lado
    Tu não estás no teu lugar
    Quero alcançar a lua
    Tocar com a minha boca na tua
    Não seguir para um outro dia
    E ficar a descansar
    Enquanto o coração não bate
    E não vejo o teu olhar

    Responder

    1. Um mistério é um caminho
      Um imenso mar de mais
      Marés lua, margens tuas
      Terra à vista neste cais

      Responder

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.