Ficção

Um

Setembro 29, 2017

Quando é improvável é melhor. Pensou ele sentado ao lado dela numa improvável corrida de taxi entre duas extremas. Não lugares de um terreno qualquer em que vais de um lado a outro e já está e só demoras tempo a ver as coisas passar, a contemplar ou simplesmente a dormitar no intrevalo dos solavancos. Estas eram extremas de outro desenho; também iam de um sítio a outro, mas significavam mais que a distância entre si. Numa noite de outono serôdio com calor de verão, um taxista fumador que preferiria ter ficado a ociar baforadas na praça do império em vez de os levar ao velho liceu da antiga cintura industrial, foi  testemunha instrumental. Assim, caída do nada, vinda do céu, começava a viagem. Entre os dois, rumavam de um extremo a outro, sem saber nada um do outro, sem nunca se terem visto antes.

–  Esta cidade é demasiado pequena, disse ela

–  Mas afinal todas as cidades são demasiado pequenas, não e? – respondeu ele – O que às  vezes acontece é encontrares pessoas maiores

 

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