Vai

Domingo 16 de setembro.

Confesso que me aperta o coração esta viagem em que apenas eu regresso, mas cresce em mim um novo fascínio.

O Diogo está a viver e a estudar em Londres. Cumpre um desejo de sempre.

A vida dos nossos filhos, sendo absolutamente deles é também nossa. E agora, na hora da partida. que é só um até já, não é a distância que dói, mas essa declaração selada de que outra vida independente começou.

Há uma coleção inteira de lamechices que ficavam otimamente entre vírgulas, em verso livre e uma ou duas lágrimas que rolam cara abaixo quando o sorriso dele desaparece na entrada do metro.

E é ainda maior o orgulho firme e infinito de ter contribuído para a formação de um homem que depois de escolher o caminho que quis soube dar forma aos sonhos e vai começar a aventura da idade adulta na cidade que escolheu para aprender o que quer ser.

Fica ainda assim um som de tic tac a ressacar na alma à medida que me afasto. Há uma emoção estranha que a custo identifico.

É a minha perceção do tempo que encontra um novo referencial. A sensação nova que sentimos na emancipação dos nossos filhos está escrita desde sempre no mais íntimo lugar da nossa alma.

Como no poema marítimo de Pessoa sinto o solavanco inesperado daquele movimento que se altera, e o chiar metálico do volante que procura encontrar um novo equilíbrio.

Há neste momento de desapego um imperativo maior. Maior que a vida e a morte. Do tamanho inteiro do amor.

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.